quinta-feira, 12 de junho de 2025

A História da Educação sob a Perspectiva de Autoras Negras no Brasil: Contribuições, Desafios e Legados para uma Pedagogia Antirracista e Decolonial

 

1. Introdução: Revisitando a Historiografia da Educação Brasileira sob uma Lente Negra e Feminina

A compreensão da história da educação no Brasil tem sido, por muito tempo, marcada por uma lacuna significativa: a exclusão ou minimização das experiências e contribuições de povos não-europeus, em particular da população negra. Esta problemática persiste na historiografia educacional brasileira, onde a bibliografia existente pode, erroneamente, sugerir a inexistência de experiências escolares de negros antes da década de 1960.1 Tal omissão não é meramente um descuido, mas uma consequência de metodologias históricas que, ao priorizarem narrativas eurocêntricas, sistematicamente marginalizam as contribuições não-brancas.

Este relatório busca preencher essa lacuna, argumentando que a história da educação brasileira não pode ser compreendida em sua totalidade sem a inclusão das vozes e perspectivas de autoras negras. Essas intelectuais oferecem uma reinterpretação crítica e enriquecedora, desafiando o status quo e propondo modelos educacionais que promovem a justiça social. A centralidade das vozes negras femininas reside na sua capacidade de formular teorias e práticas que emergem de realidades vividas de opressão e resistência, fornecendo arcabouços analíticos e pedagógicos que desconstroem o racismo e o sexismo estruturais.

O escopo deste relatório abrange desde pioneiras como Maria Firmina dos Reis, que no século XIX já desbravava caminhos na educação e na literatura abolicionista, até pensadoras contemporâneas como Lélia Gonzalez, Nilma Lino Gomes, Conceição Evaristo e Luana Tolentino, entre outras. A diversidade de suas atuações – como educadoras, escritoras, ativistas e pesquisadoras – e a interdisciplinaridade de suas contribuições demonstram a riqueza e a profundidade do pensamento negro-feminino na educação brasileira. A seguir, a Tabela 1 oferece uma visão geral das principais autoras e suas contribuições, servindo como um guia para a compreensão da amplitude e profundidade de seu impacto. Essa estruturação permite ao leitor identificar rapidamente as figuras-chave e suas áreas de influência primárias antes de se aprofundar na análise detalhada, evidenciando a continuidade histórica e a evolução do pensamento educacional de mulheres negras no Brasil, desde o século XIX até o presente.

Tabela 1: Principais Autoras Negras e Suas Contribuições para a Educação Brasileira

Nome da Autora

Período de Atuação

Principais Conceitos/Obras

Contribuições Chave para a Educação

Áreas de Impacto

Maria Firmina dos Reis

Séc. XIX (1822-1917)

Úrsula, A Escrava

Pioneira na educação mista e gratuita; literatura abolicionista como ferramenta pedagógica.

Abolicionismo, Pedagogia Inovadora, Literatura

Lélia Gonzalez

Séc. XX (1935-1994)

Pedagogias Amefricanas, Afrocentricidade

Crítica ao racismo e sexismo; formulação de arcabouços teóricos para a justiça social.

Feminismo Negro, Antirracismo, Decolonialidade

Nilma Lino Gomes

Séc. XX-XXI

Movimento Negro Educador, Pedagogia das Emergências

Articulação entre ativismo negro e práticas educacionais; impacto na Lei 10.639/03.

Relações Étnico-Raciais, Formação de Professores

Conceição Evaristo

Séc. XX-XXI

Escrevivência

Escrita como ato de descolonização da memória e protagonismo de vozes negras; ferramenta pedagógica antirracista.

Literatura, Pedagogia Antirracista, Memória

Luana Tolentino

Séc. XXI

Outra educação é possível: feminismo, antirracismo e inclusão em sala de aula

Propostas para uma educação inclusiva, interdisciplinar e emancipatória, conectada à realidade dos estudantes.

Pedagogia Inclusiva, Interdisciplinaridade, Antirracismo

Mariana Silva Souza e Clediane Colins Gomes

Séc. XXI

Colonialidade do poder na América Latina: a importância da literatura infantil na criação de novas narrativas para a população negra

Uso da literatura infantil para abordar a colonialidade do poder e criar novas narrativas.

Literatura Infantil, Decolonialidade, Antirracismo

Neli Gomes da Rocha

Séc. XXI

Crespografia, experiência estética capilar negra e escrevivências

Afirmação da identidade negra através da estética capilar; descolonização da beleza.

Estética, Identidade Negra, Pedagogia Antirracista

Desirée Bela-Lobedde

Séc. XXI

Ser mulher negra em Espanha, Minorías

Ativismo e escrita antirracista; ênfase na educação para desconstrução de estereótipos.

Antirracismo, Afrofeminismo, Educação para a Diversidade

2. Pioneiras e Fundadoras da Educação Antirracista: O Legado de Maria Firmina dos Reis

Maria Firmina dos Reis (1822-1917) emerge como uma figura seminal na história da educação e do abolicionismo no Brasil, sendo amplamente reconhecida como a primeira romancista negra do país.2 Sua trajetória de vida e obra, embora por vezes ofuscada pela historiografia oficial, revela um compromisso profundo com a educação e a justiça social. Desde jovem, Firmina exerceu o magistério, e em 1847, obteve aprovação em concurso público para professora primária.2 O fato de uma mulher negra ter alcançado tal posição em meados do século XIX, um período de intensa discriminação racial e de gênero, não representa apenas uma conquista pessoal, mas um ato de resistência e agência. Sua presença no sistema público de ensino, em um contexto que buscava excluir pessoas negras de espaços formais de intelectualidade e profissionalismo, foi um gesto subversivo que pavimentou o caminho para gerações futuras.

A ousadia pedagógica de Maria Firmina dos Reis manifestou-se de forma notável em 1880, quando, oito anos antes da Lei Áurea, ela fundou a primeira escola de educação mista e gratuita no Maranhão.5 Essa iniciativa foi revolucionária para a época, desafiando as normas sociais que segregavam a educação por gênero e classe, e gerou tamanha repercussão que a obrigou a suspender as atividades da instituição.5 O estabelecimento de uma escola gratuita e para ambos os sexos por uma mulher negra, em uma sociedade escravocrata, foi um ato radical de pedagogia decolonial. Ao oferecer acesso irrestrito à educação, independentemente de gênero ou condição social — implicitamente incluindo crianças negras, dada sua identidade e seu posicionamento abolicionista — Firmina estava ativamente construindo um modelo educacional alternativo. Esse modelo antecipava movimentos posteriores por uma educação universal e inclusiva, demonstrando que seu compromisso ia além do acesso, visando à equidade e à justiça. A resistência enfrentada por sua escola sublinha a profundidade das estruturas raciais e de classe que o sistema educacional da época se esforçava para manter.

Além de sua atuação direta como educadora, o legado literário de Maria Firmina dos Reis funcionou como uma forma velada de ativismo pedagógico. Suas obras, como o romance Úrsula (1859) e o conto A Escrava (1887), são consideradas fundadoras da literatura abolicionista no Brasil.3 Ao centralizar as narrativas de pessoas escravizadas e condenar a escravidão por meio da ficção, ela educou um público que, em grande parte, estava insensibilizado ou desinformado sobre as realidades do sistema. A inclusão inédita do "porão do navio negreiro" em Úrsula 5 não foi apenas um detalhe narrativo, mas um ato educacional deliberado. Forçou os leitores a confrontar as origens desumanizantes da escravidão, uma realidade frequentemente higienizada ou ignorada no discurso oficial. Essa escolha artística serviu para educar a empatia e a consciência crítica do leitor, tornando o conceito abstrato de abolição tangível e emocionalmente ressonante. Isso demonstra como a arte e a literatura podem ser ferramentas educacionais poderosas e informais para a transformação social, especialmente quando os canais formais são opressores.

O legado de Maria Firmina dos Reis, que permaneceu esquecido por muito tempo, foi resgatado graças ao movimento negro na década de 1970, especialmente no Maranhão.5 Esse resgate a trouxe para o debate antirracista do século XX e, no século XXI, sua obra é reconhecida em diversas universidades no Brasil e no exterior.5 Sua influência continua a inspirar pesquisadoras e artistas negras, fomentando a ocupação de espaços acadêmicos e artísticos e promovendo o debate antirracista.5

3. Arcabouços Teóricos e Pedagogias de Resistência: Lélia Gonzalez e Nilma Lino Gomes

3.1. Lélia Gonzalez: As Pedagogias Amefricanas e a Crítica ao Racismo e Sexismo

Lélia Gonzalez (1935-1994) é reconhecida como uma das mais "grandes e renomadas intelectuais" brasileiras, que, ao lado de Beatriz Nascimento, contribuiu com "importantes formulações teóricas e literárias".10 Sua trajetória intelectual e política é marcada por uma evolução de pensamento que, partindo de uma perspectiva marxista na década de 1970, incorporou paradigmas psicanalíticos, afrocentrados e feministas, culminando na formulação das "pedagogias amefricanas".11 Essa evolução reflete um engajamento crítico com teorias universalistas que, muitas vezes, falhavam em abordar adequadamente as especificidades das experiências de mulheres negras no Brasil. A busca por frameworks teóricos enraizados nas realidades locais e nas vivências de pessoas negras destaca a necessidade de desenvolver abordagens que capturem a complexidade das opressões.

Gonzalez aprofundou seus estudos sobre a "dinâmica do racismo e do sexismo na cultura brasileira".10 Seu trabalho e ativismo político lançaram luz sobre a formação social brasileira a partir da perspectiva das lutas e resistências do povo negro.10 Sua análise integrada do racismo e do sexismo, particularmente dentro da cultura brasileira, estabeleceu as bases para a pedagogia interseccional. Ao expor a natureza interligada dessas opressões, ela forneceu um arcabouço para entender como os sistemas educacionais perpetuam múltiplas formas de discriminação. O foco na "dinâmica" de racismo e sexismo, em vez de tratá-los como fenômenos separados, aponta para uma compreensão precoce da interseccionalidade. Ela reconheceu que essas opressões não são meramente aditivas, mas mutuamente constitutivas na cultura brasileira. Essa análise integrada é fundamental para a prática educacional, pois se o racismo e o sexismo estão profundamente interligados nas dinâmicas culturais, as intervenções educacionais também devem ser interseccionais. Simplesmente abordar o "racismo" ou o "sexismo" isoladamente é insuficiente; o trabalho de Gonzalez, portanto, implicitamente, clama por uma pedagogia que reconheça e desmantele a complexa teia de opressões.

A Afrocentricidade é considerada o principal alicerce de sua proposta pedagógica amefricana.11 O conceito de "Pedagogias Amefricanas", enraizado na Afrocentricidade, implica uma reorientação radical do conteúdo e da metodologia educacional. Isso vai além de simplesmente incluir a história negra, centrando as epistemologias africanas e afro-diaspóricas como sistemas de conhecimento válidos e fundamentais. "Afrocentricidade" na pedagogia significa uma mudança de paradigma onde os sistemas de conhecimento, valores e experiências africanas e afro-diaspóricas se tornam o centro a partir do qual a aprendizagem se desenvolve. Isso desafia a colonialidade do conhecimento embutida na educação tradicional, que frequentemente descarta epistemologias não-europeias como "conhecimentos subjugados". Assim, as "Pedagogias Amefricanas" não se tratam apenas de representação, mas de descolonização epistemológica, visando validar e elevar formas de saber e ser que foram historicamente marginalizadas.

3.2. Nilma Lino Gomes: O Movimento Negro Educador e a Pedagogia das Emergências

Nilma Lino Gomes é uma figura proeminente no campo da educação e das relações étnico-raciais no Brasil, associada aos conceitos de "Movimento Negro Educador" e "pedagogia das emergências".1 Seu trabalho é crucial para compreender o impacto da Lei 10.639/2003 e a interseccionalidade na educação.12

O conceito de "Movimento Negro Educador" sugere que o próprio movimento negro funciona como uma força pedagógica, estendendo a educação para além da escolarização formal, para abranger o ativismo social, a produção cultural e a construção da identidade e consciência coletivas.12 O termo indica que a luta por justiça racial envolve um processo contínuo de aprendizagem, desaprendizagem e reeducação da sociedade sobre o racismo, a história e a cultura negra. Essa perspectiva expande a definição de "educação" para incluir espaços de aprendizagem informais, organização comunitária, eventos culturais e o próprio ato de resistência coletiva. É vital para entender como o conhecimento é produzido e disseminado fora das instituições acadêmicas tradicionais, e como ele contribui para uma transformação social mais ampla, influenciando a educação formal por meio de defesa de direitos e mudanças políticas, como a Lei 10.639/2003.

A "Pedagogia das Emergências", um conceito central na obra de Gomes, provavelmente se refere a abordagens pedagógicas desenvolvidas em resposta a urgentes injustiças sociais e raciais, enfatizando intervenções educacionais imediatas e contextualizadas.12 O termo "emergências" implica situações de crise, injustiça ou necessidade imediata. Portanto, essa pedagogia é caracterizada por sua capacidade de resposta e adaptabilidade às realidades vividas da opressão racial. Pode envolver ação direta, análise crítica de eventos atuais e o desenvolvimento de habilidades para resistência e mudança social, indo além de discussões teóricas abstratas para intervenções práticas e impactantes. Essa abordagem contrasta com os sistemas educacionais tradicionais, frequentemente lentos. Ela destaca a necessidade de a educação ser uma ferramenta dinâmica para a justiça social, capaz de abordar o racismo sistêmico e suas manifestações à medida que "emergem". Isso tem implicações significativas para a formação de professores, a flexibilidade curricular e a integração de questões comunitárias na sala de aula, impulsionando uma educação que não se limita à transmissão de conhecimento, mas que fomenta a consciência crítica e a agência diante das emergências raciais contínuas.

4. Práticas e Conceitos para uma Educação Transformadora

4.1. Conceição Evaristo: A "Escrevivência" como Ferramenta Pedagógica Antirracista

Conceição Evaristo, uma das vozes mais potentes da literatura afro-brasileira contemporânea, introduziu o conceito de "escrevivência", que se revela uma ferramenta pedagógica fundamental para a educação antirracista. A "escrevivência" é definida por Evaristo como uma escrita de si, das próprias vivências, e um ato de se ver, com o objetivo de "barrar, desfazer uma imagem do passado, em que o corpo-voz das mulheres negras escravizadas tinha sua potência de emissão também sobre o controle dos escravocratas".18 Esse conceito se diferencia radicalmente das narrativas hegemônicas, as "contadas na e para a casa-grande", subvertendo o controle sobre a voz de mulheres negras.18

A "escrevivência" como ferramenta pedagógica transcende a mera análise literária; é um ato decolonial de autoafirmação e libertação coletiva dentro dos espaços educacionais. Transforma o ato de escrever de uma habilidade passiva em uma prática política e de formação de identidade ativa, especialmente para estudantes negros. Ao "barrar" e "desfazer uma imagem do passado" 18, ela desmantela ativamente as narrativas coloniais embutidas na história e na educação. Isso transforma a sala de aula em um espaço onde conhecimentos e experiências subjugados não são apenas incluídos, mas centralizados, desafiando a própria epistemologia da escolarização tradicional.

Suas contribuições para a educação antirracista são multifacetadas:

  • Construção de Novos Universos Simbólicos: Permite a criação de novas perspectivas e formas de existência, desafiando o discurso hegemônico.18

  • Reapropriação da Voz e Autoinscrição no Mundo: A escrita, ao se apropriar dos signos linguísticos, permite uma autoinscrição no mundo, elemento central para o conceito de "escrevivência".18

  • Caráter Coletivo e Político: Embora seja uma escrita de vivência pessoal, a "escrevivência" não se encerra em si, mas diz de uma coletividade, registrando o pessoal e o coletivo em uma mesma literatura. É uma escrita política e insubordinada, que revela uma memória e reescreve a história da população negra de uma perspectiva não colonial.18

  • Descentralização do Saber Hegemônico: Como prática pedagógica, descentra um saber hegemônico que preza a neutralidade científica e o afastamento dos sujeitos, permitindo a autoinscrição em um contexto escolar muitas vezes higienizado e supostamente neutro.18

  • Nomeação do Racismo Cotidiano: Ajuda a nomear os racismos cotidianos que muitas vezes não são sinalizados e parecem experiências isoladas, particulares e mal compreendidas. Isso é crucial em um país miscigenado onde o racismo é frequentemente velado.18

  • Protagonismo de Estudantes Negros/as: Ao inserir a "escrevivência" no contexto escolar, em diferentes disciplinas e contextos, contribui-se para o protagonismo de estudantes negros/as. Suas escritas vividas ajudam a formular atividades, conteúdos, eventos, debates, oficinas e reflexões que abordam as relações raciais de modo presente, atual e plural, reconhecendo que a negritude é vivida de diversas formas.18

  • Combate à Essencialização e Exotização: Trabalha contra a essencialização do corpo negro e sua exotização, que o coloca como distante, estranho e ameaçador.18

Para a educação, isso significa mover-se de um currículo que transmite passivamente o conhecimento dominante para um que encoraja ativamente os estudantes, especialmente os negros, a se tornarem produtores de conhecimento com base em suas realidades vividas. Isso fomenta a consciência crítica, a resiliência e o senso de pertencimento, combatendo diretamente a violência psicológica e epistêmica do racismo nas escolas. Implica que a verdadeira educação antirracista exige não apenas ensinar sobre a história negra, mas permitir que os estudantes negros escrevam e vivam suas próprias histórias dentro do processo educacional, tornando-o uma prática verdadeiramente emancipatória.

4.2. Luana Tolentino: Propostas para uma Educação Inclusiva e Interdisciplinar

Luana Tolentino, em sua obra "Outra educação é possível: feminismo, antirracismo e inclusão em sala de aula", apresenta propostas concretas para a condução de práticas educacionais baseadas em princípios essenciais para uma educação emancipatória.21 Seu trabalho demonstra a viabilidade de promover diálogo, empatia e construção conjunta em sala de aula, sem, contudo, romantizar as dificuldades inerentes ao processo.21

A ênfase de Tolentino na interdisciplinaridade e na conexão do currículo com as realidades vividas pelos estudantes é uma resposta direta à inadequação dos modelos educacionais tradicionais, frequentemente fragmentados e descontextualizados. Isso transforma a sala de aula de um local de recepção passiva de conhecimento em um espaço ativo de investigação crítica e afirmação cultural. Os projetos da autora são descritos como "vivos e cheios de significados" porque estabelecem um diálogo direto com as experiências e realidades de crianças e adolescentes, especialmente aqueles que são "muitas vezes invisibilizados nos currículos e programas educacionais".22

O livro concretiza o conceito de interdisciplinaridade, que é "tão alardeado na pedagogia", entrelaçando disciplinas como História, Geografia, Literatura, Língua Portuguesa, Educação Física e Artes de forma dinâmica nos projetos.22 Exemplos práticos incluem a exploração de histórias de escritoras negras, partidas de futebol com jogadores de diversos países da África, troca de cartas com estudantes de Moçambique, rodas de conversa com uma estudante de Medicina indígena e análise do funk à luz da realidade periférica.22 Ao conectar explicitamente as disciplinas acadêmicas aos contextos culturais dos estudantes (funk, jogadores africanos, estudantes moçambicanos), a pedagogia de Tolentino desafia a separação artificial do conhecimento frequentemente encontrada nos currículos tradicionais. Essa abordagem valida o capital cultural e as experiências vividas dos estudantes como fontes legítimas de conhecimento, contrapondo-se à violência epistêmica que muitas vezes descarta formas de expressão e conhecimento não-eurocêntricas. Isso fomenta um ambiente de aprendizagem mais inclusivo, onde os estudantes se veem refletidos no currículo, levando a um engajamento mais profundo e a uma compreensão mais holística do mundo. A obra é vista como uma concretização "potente e inspiradora" da "utopia" de uma "outra educação", oferecendo uma mensagem de esperança para o campo educacional.22

5. Interseccionalidade e a Complexidade das Opressões na Educação

A interseccionalidade é uma ferramenta analítica essencial para compreender as especificidades das estudantes matriculadas na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), especialmente os desafios impostos pela atuação de mulheres negras em ocupações pouco especializadas, como a de empregada doméstica.27 A aplicação da interseccionalidade na educação, particularmente para mulheres negras na EJA, revela que as barreiras educacionais não são singulares, mas são agravadas por múltiplos sistemas de opressão interligados. Essa perspectiva vai além de um modelo aditivo de desvantagem (por exemplo, ser negra mais ser mulher mais ser pobre) para reconhecer como essas identidades interagem para criar experiências únicas de marginalização e exclusão.

O paradigma interseccional, empregado por teóricas negras, explica a inter-relação dos fenômenos sociais das opressões de raça, gênero e classe, entre outras, nos sistemas de dominação, destacando a conexão intrínseca entre racismo, sexismo e educação.28 Por exemplo, uma trabalhadora doméstica negra na EJA enfrenta barreiras relacionadas à discriminação racial no mercado de trabalho, às expectativas de gênero e à precaridade econômica baseada em classe, todos fatores que influenciam sua capacidade de frequentar a escola de forma consistente.27 Isso demonstra que as políticas e práticas educacionais devem considerar essas realidades complexas e interligadas, em vez de abordar as opressões de forma isolada. Pensar e atuar na práxis educativa a partir dos conhecimentos subjugados do pensamento feminista negro é uma tarefa fundamental para o exercício de uma pedagogia libertadora, que surge não apenas da consciência crítica, mas também da resistência à exploração de classe e à interseccionalidade das opressões, visando a transformação do projeto excludente em um processo emancipatório.28

Além das contribuições de Lélia Gonzalez e Nilma Lino Gomes, outras autoras negras enriquecem a discussão sobre a pedagogia antirracista e decolonial:

  • Mariana Silva Souza e Clediane Colins Gomes contribuem com o trabalho "Colonialidade do poder na América Latina: a importância da literatura infantil na criação de novas narrativas para a população negra".31 Elas focam na perspectiva intergeracional e na importância da literatura infantil para criar novas narrativas que abordem a colonialidade do poder.

  • Neli Gomes da Rocha, com sua obra "Crespografia, experiência estética capilar negra e escrevivências", desenvolve uma análise autoetnográfica sobre penteados afro, discutindo como tranças e dreadlocs afirmam a identidade negra e descolonizam a estética.31 Esses elementos são cruciais para uma pedagogia antirracista e decolonial.

  • Desirée Bela-Lobedde, embora sua atuação seja mais focada na Espanha, oferece uma perspectiva valiosa de que "o racismo não vai de moralismo e sim de educação".32 Seu foco no afrofeminismo e na necessidade de educar para desconstruir estereótipos, além de gerenciar o conflito gerado pela diversidade nos centros educativos, é altamente relevante para a pedagogia antirracista.32

As diversas contribuições dessas autoras, particularmente em áreas como a literatura infantil e a estética, demonstram que a pedagogia antirracista e decolonial se estende muito além das mudanças formais no currículo. Ela abrange a reformulação de narrativas culturais, a afirmação da identidade negra e a desconstrução do racismo internalizado em todos os aspectos da vida, incluindo o que pode parecer mundano. O foco na literatura infantil (Souza & Gomes) e na estética capilar (Rocha) revela que a educação antirracista não se limita a ensinar fatos históricos ou arcabouços legais; trata-se de intervir em um nível cultural e psicológico muito mais profundo. A literatura infantil molda as primeiras percepções de si e dos outros, enquanto o cabelo é um aspecto profundamente pessoal e culturalmente significativo da identidade para indivíduos negros. Ao abordar essas áreas, essas autoras visam as raízes do racismo internalizado e dos padrões de beleza coloniais. Isso implica que uma educação antirracista verdadeiramente abrangente deve ser holística, permeando todos os aspectos da vida e da aprendizagem, desde a primeira infância até a formação da identidade adulta. Destaca a necessidade de os educadores entenderem que o racismo não se manifesta apenas em atos explícitos, mas também em mensagens culturais sutis e pervasivas e em normas estéticas.

6. Impacto da Lei 10.639/2003 e Desafios Contemporâneos

A Lei 10.639/2003, sancionada em janeiro de 2003, representou um marco fundamental ao tornar obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nos currículos do ensino fundamental e médio, além de incluir o Dia da Consciência Negra no calendário escolar.33 O objetivo primordial dessa legislação era aprofundar as discussões sobre diversidades e desigualdades raciais no Brasil nas salas de aula.33

No entanto, a implementação da lei tem enfrentado desafios consideráveis. Uma das principais barreiras é a falta de formação adequada dos educadores para ensinar os conteúdos da nova legislação. Além disso, grande parte das escolas ainda carece de mecanismos eficazes para garantir a efetivação da lei.33 Uma pesquisa de 2022, realizada pelo Geledés Instituto da Mulher Negra e o Instituto Alana, revelou que apenas 29% dos municípios brasileiros realizavam ações consistentes e duradouras para implementar a Lei 10.639/03, o que significa que 78% dos municípios tinham pouca ou nenhuma ação para assegurar a efetividade da lei.33

A lacuna significativa entre o mandato legislativo da Lei 10.639/2003 e sua implementação real revela uma resistência sistêmica à educação antirracista dentro do aparato educacional brasileiro. Isso sugere que os arcabouços legais por si só são insuficientes sem investimentos paralelos na formação de professores, no desenvolvimento curricular e em uma mudança fundamental na cultura institucional. A baixa taxa de implementação consistente (29%) e a falta generalizada de formação de professores 33 indicam mais do que apenas problemas logísticos. Sugere uma inércia sistêmica mais profunda, ou mesmo resistência, dentro do sistema educacional para abraçar plenamente a educação antirracista. Essa resistência pode derivar da falta de vontade política, de um viés eurocêntrico enraizado nos programas de formação de professores, ou de um desconforto entre os educadores em abordar tópicos sensíveis como raça e racismo. A crítica de Mariléia dos Santos Cruz, que enfatiza a necessidade de pesquisas na área para capacitar professores a lidar com a diversidade cultural nas escolas 1, sublinha que o problema não é apenas o que ensinar, mas como ensinar e quem está preparado para ensinar. Isso revela a necessidade crítica de uma transformação cultural e estrutural mais profunda dentro das instituições educacionais, para além da mera promulgação de uma lei.

A crítica de Mariléia dos Santos Cruz à historiografia tradicional da educação é um ponto crucial. Ela reflete sobre a necessidade de estudos sobre afro-brasileiros na historiografia da educação brasileira, apontando a tendência de excluir povos não-europeus das narrativas históricas.1 Ela questiona a carência de respostas sobre os processos de escolarização vivenciados pelos negros desde a escravidão e suas intervenções sociais no campo intelectual nos primeiros anos da República, através de organizações negras, criação de escolas e imprensa negra.1 A crítica de Mariléia dos Santos Cruz ao vazio historiográfico em relação às experiências educacionais negras não é meramente uma observação acadêmica, mas um apelo por justiça epistêmica. A ausência dessas narrativas na história oficial perpetua o apagamento da agência e das contribuições intelectuais negras, minando assim os próprios objetivos da educação antirracista. Essa "ausência" não é acidental, mas uma consequência de uma metodologia histórica eurocêntrica e racista que marginaliza sistematicamente as experiências não-brancas. Ao omitir os esforços educacionais e as contribuições intelectuais do povo negro, a historiografia dominante implicitamente sugere uma falta de agência ou capacidade intelectual dentro da comunidade negra. Essa exclusão histórica tem implicações pedagógicas diretas: se os estudantes não aprendem sobre essas contribuições, são privados de uma compreensão completa de sua história nacional e das diversas tradições intelectuais nela contidas. A crítica de Cruz, portanto, é uma demanda por "justiça epistêmica" – o reconhecimento e a validação de conhecimentos e experiências que foram historicamente suprimidos. Isso implica que a verdadeira reforma educacional, particularmente no contexto da Lei 10.639/2003, exige não apenas a adição de novos conteúdos, mas uma reavaliação fundamental de como a história é escrita e ensinada, desafiando os próprios fundamentos da investigação histórica para ser mais inclusiva e verdadeira.

7. Considerações Finais: Síntese, Desafios Persistentes e Legado Duradouro

A análise das contribuições de autoras negras para a história da educação no Brasil revela uma tradição intelectual rica e resiliente, que desafia e redefine os paradigmas educacionais dominantes. De Maria Firmina dos Reis, pioneira na educação e na literatura abolicionista, a Lélia Gonzalez com suas Pedagogias Amefricanas, Nilma Lino Gomes e o Movimento Negro Educador, Conceição Evaristo e sua "escrevivência", e Luana Tolentino com suas propostas para uma educação inclusiva e interdisciplinar, essas intelectuais oferecem uma contínua e coerente narrativa que se contrapõe ao discurso educacional hegemônico.1 A consistência e a evolução dos temas abordados por diferentes gerações de autoras negras (do abolicionismo do século XIX ao feminismo interseccional contemporâneo) indicam uma tradição intelectual robusta e duradoura. Isso não é apenas uma coleção de insights individuais, mas um corpo cumulativo de conhecimento que critica sistematicamente e oferece alternativas a um sistema educacional historicamente opressor. Seu trabalho forma uma "escola de pensamento" que prioriza a experiência vivida, a justiça social e o desmantelamento de opressões interligadas, fornecendo um arcabouço poderoso e coeso para a transformação educacional.

A centralidade da pedagogia antirracista, da decolonialidade e da interseccionalidade em suas obras é inegável. Elas demonstram que a educação não é um campo neutro, mas um espaço de disputa onde as relações de poder e as estruturas de opressão são reproduzidas e, potencialmente, subvertidas. A "escrevivência" de Conceição Evaristo, por exemplo, não é apenas uma técnica literária, mas um ato de descolonização da memória e de afirmação do protagonismo de vozes negras, transformando a escrita em uma prática política e de formação de identidade.

Apesar dos avanços teóricos e legislativos, como a Lei 10.639/2003, os desafios persistem. A implementação plena da lei continua sendo um obstáculo significativo, evidenciando a necessidade contínua de formação docente e de uma revisão historiográfica profunda. O racismo velado e as assimetrias de poder no contexto educacional ainda são realidades que exigem atenção e ação.

No entanto, o legado duradouro dessas autoras negras reside na sua influência transformadora na construção de uma educação mais justa, equitativa e representativa. Suas "escrevivências" e "pedagogias amefricanas" servem como modelos inspiradores para futuras gerações de educadores e estudantes, reafirmando a importância de uma educação que reconheça, valorize e celebre a diversidade cultural e racial do Brasil.

8. Recomendações: Caminhos para uma Educação Verdadeiramente Antirracista e Inclusiva

Para que a educação brasileira possa verdadeiramente abraçar os princípios da justiça racial e da equidade, é imperativo que se implementem as seguintes recomendações, que visam uma transformação sistêmica e holística das práticas educacionais e da produção de conhecimento:

Políticas Educacionais

  • Fortalecimento da Implementação da Lei 10.639/2003: É crucial intensificar a fiscalização e o apoio à implementação da Lei 10.639/2003 em todos os níveis de ensino. Isso inclui a alocação de recursos adequados e a criação de mecanismos de monitoramento para garantir que a lei seja efetivamente aplicada, superando a resistência sistêmica observada.

  • Investimento em Formação Continuada: Programas de formação continuada para professores devem ser priorizados, com foco em pedagogia antirracista, interseccionalidade e metodologias decoloniais. Essa formação precisa ir além da conscientização, equipando os educadores com ferramentas teóricas e práticas para desmantelar ativamente as estruturas racistas e promover epistemologias alternativas.

  • Desenvolvimento Curricular Inclusivo: Os currículos escolares devem ser revisados e desenvolvidos para integrar as contribuições das autoras negras e valorizar as epistemologias afro-brasileiras e indígenas. Isso implica uma mudança de paradigma, onde o conhecimento não-eurocêntrico é centralizado, e não apenas adicionado marginalmente.

Formação de Professores

  • Inclusão Obrigatória de Obras de Autoras Negras: Os cursos de licenciatura e pedagogia devem incluir de forma obrigatória e aprofundada as obras e conceitos desenvolvidos por autoras negras. Isso garante que futuros educadores sejam expostos a essas perspectivas desde o início de sua formação.

  • Promoção de Diálogo e Reflexão: É fundamental criar espaços seguros para diálogo e reflexão sobre as próprias experiências e preconceitos dos educadores. O enfrentamento do racismo internalizado e dos vieses é um passo essencial para a construção de uma prática pedagógica antirracista.

  • Incentivo à Pesquisa-Ação e Materiais Didáticos: Deve-se incentivar a pesquisa-ação e o desenvolvimento de materiais didáticos que reflitam a diversidade cultural e racial do Brasil. Isso permite que os educadores sejam co-criadores de uma educação mais relevante e contextualizada.

Pesquisas Futuras

  • Impacto de Longo Prazo das Pedagogias Antirracistas: Estudos aprofundados são necessários para analisar o impacto de longo prazo das pedagogias antirracistas no desempenho acadêmico e no bem-estar psicológico e social de estudantes negros. Reconhece-se que o racismo inflige danos psicológicos e emocionais, e a educação deve ser um processo de cura e afirmação.

  • Análise Comparativa da Implementação: Pesquisas comparativas sobre a implementação da educação étnico-racial em diferentes contextos regionais (urbanos/rurais) podem fornecer insights valiosos sobre as melhores práticas e os desafios específicos de cada localidade.

  • Recepção e Impacto das Obras Literárias: Estudos sobre a recepção e o impacto das obras literárias de autoras negras nas práticas pedagógicas e na formação de leitores são cruciais. Isso ajudará a entender como a literatura pode ser uma ferramenta eficaz para promover a consciência racial e a empatia.

  • Filosofia Pedagógica e Identidade Docente: A pesquisa deve explorar como as recomendações levam a uma mudança fundamental na filosofia pedagógica e na identidade do professor. A história da educação sob a perspectiva de autoras negras não é apenas um relato histórico, mas um arcabouço vivo e em evolução para a justiça educacional futura, exigindo engajamento crítico e adaptação contínuos.

Referências citadas

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